MONTADORAS, PETRÓLEO E TREASURIES ENFRAQUECEM AS BOLSAS

A Bovespa fechou a penúltima segunda-feira do ano no terreno negativo, influenciada pelas bolsas externas. Um alerta da Toyota acabou minando o humor dos investidores e levou as ações para o terreno negativo. Assim, a esperada recuperação de fim de mês e ano acabou esquecida, e a Bolsa doméstica voltou aos 37 mil pontos.

 

O principal índice acionário doméstico recuou 3,87%, aos 37.618,50 pontos. Na mínima, atingiu 37.478 pontos (-4,23%) e, na máxima, 39.452 pontos (+0,82%). Com a queda de hoje, os ganhos de dezembro foram reduzidos a 2,80%. Em 2008, a Bolsa acumula perda de 41,12%.

 

O giro financeiro já mostrou encolhimento, como era esperado para essas duas semanas de “recesso branco” na economia brasileira. Hoje, o volume totalizou R$ 2,521 bilhões, e a previsão é de que diminua ainda mais até o fechamento do ano. “A expectativa é de que os negócios possam voltar a crescer após a posse de Obama (Barack Obama, presidente eleito dos Estados Unidos), em 20 de janeiro”, comentou um profissional de renda variável de um grande banco brasileiro.

 

Esse giro mais fraco tem parte da culpa pelo desempenho de hoje da Bolsa, já que em dias fracos qualquer transação tem mais força para conduzir o índice. Mas o que pesou mesmo hoje foi o desempenho das blue chips e ações de primeira linha.

 

Às 18h28, o Dow Jones caía 2,41% e o S&P 500 operava em baixa de 3,43%. O Nasdaq operava em queda de 3,85%. Os principais índices do mercado norte-americano de ações aceleraram a baixa, com a recuperação dos preços dos títulos do Tesouro dos EUA. Os preços dos Treasuries subiram acima das mínimas do dia depois do leilão de US$ 38 bilhões em T-botes de 2 anos, no qual a taxa máxima ficou abaixo de 1% pela primeira vez. Os volumes, porém, foram reduzidos, o que contribuiu para exagerar as variações de preço. Entre as ações que mais caíram estavam as dos setores automotivo, financeiro, de materiais e de consumo. As ações do setor de petróleo também recuavam, em reação à nova baixa dos preços do produto.

 

O índice de atividade econômica do Fed de Chicago em três meses mostrou aprofundamento da recessão norte-americana, ao atingir o menor nível em 27 anos, aos -2,49 em novembro. O índice para novembro cedeu para -2,47 em novembro, de -1,27 em outubro.

 

Mas, mais do que o índice frágil, a principal causa para o pessimismo de hoje partiu da Toyota – considerada referência de solidez econômica do Japão. A montadora alertou para o primeiro prejuízo de sua história, de US$ 1,68 bilhão no ano fiscal que termina em março.

 

O aviso fez aflorar as preocupações dos investidores com as montadoras mundiais, em especial as grandes norte-americanas, que tiveram, na semana passada, uma mão do governo do país para tentarem sair da crise em que se meteram. O pacote de US$ 17,4 bilhões da Casa Branca usará recursos do Tarp, depois que o Senado vetou a ajuda aprovada pela Câmara.

 

“O pacote de sexta-feira não significa que a concordata para todas as (três de Detroit) foi evitada”, alertou o JPMorgan, em nota para clientes. O banco acrescentou que, embora acredite que o governo norte-americano não deixará que a empresa entre em liquidação, “uma potencial concordata da GM não deve ser descartada”. O JPMorgan diz ainda que mais especificamente, a Chrysler está em perigo.

 

Se não conseguirem se safar, as montadoras dos EUA, principalmente GM e Chrysler, as mais problemáticas, podem engrossar as estatísticas de desemprego do país, que tiveram em novembro a maior queda desde dezembro de 1974 com o corte de 533 mil vagas. De olho nessa fragilidade, Barack Obama já está revisando o plano de criação de empregos, que pretende lançar quando tomar posse. Agora, somam três milhões o total de vagas que devem ser mantidas ou criadas pela nova proposta.

 

E é isso o que também assusta os investidores: depois de tanta ajuda, o quadro ainda é muito delicado e a guinada de recuperação parece não encontrar um terreno firme para colocar seus pilares de sustentação. Ainda caminha na lama.

 

No caso específico das montadoras, que movimentaram o mercado hoje, a lógica é a de que, com menores vendas de veículos, não será preciso comprar tantas chapas de aço. Logo, com vendas mais fracas, as siderúrgicas também terão que comprar menos minério de ferro. Resultado: Vale ON, -6,31%, PNA, -4,40%, Gerdau PN, -6,66%, Metalúrgica Gerdau de 7,71%, Usiminas PNA, -5,50%, CSN ON, -9,65%.

 

Ainda neste setor, a Rio Tinto anunciou suspensão de sua produção de lingotes de aço na unidade Himselt no oeste da Austrália por três meses.

 

Petrobras também fechou com quedas respeitáveis, de 6,35% a ação ON e 5,18% a PN, por causa do preço do petróleo em baixa. Na Nymex, o contrato para janeiro recuou 5,78%, para US$ 39,91. “Na quarta-feira, saem os dados de estoques de petróleo nos Estados Unidos e o mercado espera números elevados, o que pressiona os preços para baixo”, comentou a fonte.

 

O relatório de inflação divulgado hoje pelo Banco Central brasileiro não fez preço na Bovespa. O documento estimou, entre outras coisas, crescimento de 3,2% para o PIB doméstico em 2009.

 

As ações ordinárias da Nossa Caixa subiram 0,01% e as do Banco do Brasil recuaram 0,99%. As duas instituições assinaram o contrato definitivo por meio do qual o BB assumiu o controle do banco paulista.

 

Aracruz PNB fechou em +5,05% e liderou as altas do Ibovespa. A expectativa em relação a um acordo entre a empresa e os bancos, sobre o pagamento de dívidas com derivativos especulativos, deu suporte às ações da companhia. A segunda maior alta foi VCP PN (+3,06%) e Lojas Renner ON (+2,56%).

 

Sadia PN caiu 3,85%. O presidente do Conselho de Administração da companhia, Luiz Fernando Furlan, anunciou hoje que cerca de 20% dos 63 mil funcionários da empresa (em torno de 12 mil trabalhadores) vão parar nos próximos dias, sobretudo nas unidades voltadas à exportação.

 

As maiores quedas do Ibovespa hoje foram CSN ON (-9,65%), Sabesp ON (-9,06%) e BM&FBovespa ON (-8,10%).

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