Bolsa de Tóquio tem pior ano da história; queda é de 42,12%

A Bolsa de Tóquio encerrou nesta terça-feira o pior ano de sua história, com o índice Nikkei recuando 42,12%, afetado principalmente pela queda nas exportações dos grandes grupos japoneses devido à crise mundial.

Trata-se da maior queda percentual da história do Nikkei (que reúne os 225 principais papéis), criado em 1949.

No pregão desta terça-feira, o último do ano e que durou apenas duas horas, o Nikkei ganhou 112,39 pontos ou 1,28%, fechando a 8.859,56 unidades.

O setor mais afetado em 2008 foi o automobilístico, com as montadoras japonesas reduzindo drasticamente seus lucros após a queda da demanda nos Estados Unidos e na Europa e a elevação do iene em relação ao dólar e ao euro.

A maior montadora do planeta, Toyota, perdeu a metade de seu valor em Bolsa em 2008, sendo mais afetada que concorrentes como Nissan ou Madza.

A Bolsa de Tóquio reabrirá no próximo dia 5 de janeiro, às 3h30 GMT (1h30 no horário de Brasília).

O sino do encerramento do último pregão de 2008 foi tocado pelas jogadoras de badminton Kumiko Ogura e Reiko Shiota, para desejar uma “melhor sorte” aos negócios no ano que vem.

Outros mercados

Nas demais praças acionárias da região, os mercados subiram pelo segundo dia consecutivo, puxados novamente pelas empresas ligadas ao setor de matérias-primas, que podem se beneficiar da forte recuperação dos preços do petróleo diante dos ataques de Israel ao grupo islâmico Hamas.

Analistas projetam um ano difícil em 2009, mas a esperança de novos pacotes de estímulo econômico dão certo alívio.

Segundo Paul Biddle, um administrador de fundos da Souls Funds Management, na Austrália, “2008 foi o ano da serpente, todo mundo foi picado”.

“O próximo ano tem que ser melhor do que este ano. Vai ser um ano difícil… mas haverá uma resposta do mercado”, acrescentou.

O índice MSCI da região Ásia-Pacífico , que exclui o mercado japonês, subia 0,84%, a 245 pontos, por volta das 7h19 (horário de Brasília), na esteira do movimento de valorização de ações como as da petrolífera chinesa CNOOC.

O indicador ainda acumula um tombo de cerca de 50% em 2008, caminhando para registrar o pior ano de sua história, embora tenha subido aproximadamente 25% desde que atingiu seu menor patamar em cinco anos ao final de novembro.

Um dos elementos que contribuiu para o tom positivo dos negócios nesta terça-feira foram as medidas de ajuda anunciadas na véspera por alguns governos ao redor do mundo.

Nos Estados Unidos, o governo anunciou na segunda-feira a expansão do pacote de ajuda à indústria automobilística, por meio de US$ 5 bilhões para o braço financeiro da General Motors, enquanto um jornal japonês disse que o país está considerando um esquema de US$ 110 bilhões para comprar empréstimos de baixa qualidade e outros ativos financeiros de bancos.

Sinais também estão aparecendo de que os investidores estrangeiros estão voltando para a Ásia.

Em dezembro, o principal índice acionário da Coréia do Sul registrou seu primeiro mês de compra líquida de estrangeiros em seis meses. Nesta terça-feira, o índice Kospi teve ganho de 0,62%.

Na Austrália, a bolsa local subiu 0,91%, aos 3.654 pontos. O mesmo se viu em Taiwan, onde o principal índice de ações encerrou o pregão com forte valorização, de 3,91%.

Na contramão, as bolsas de Cingapura e Xangai perderam 0,56% e 0,95%, respectivamente.

Com informações da Reuters.

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